A escola não é só testes, horários, professores, delegados de turma. A
escola é também um esqueleto chamado Magalhães, uma antepassada fugida
aos franceses, um estraterrestre abandonado no pátio, a Dó-do-Senhor
espreitando pelas grades, a Filipa, o Birinhas, a Mão-do-Diabo.
A escola é também o fantasma do reitor Simões, aparecido para assombrar
as couves do quintal. A escola é o que a malta do 2.º C foi descobrindo
ao longo do ano. À mistura com o sintagma nominal, a Batalha de São
Mamede e a regra de três.
OPINIÃO
Li este livro quando devia ter os meus 15 anos. Apaixonei-me! Adorei-o de uma ponta a outra. Lembrou-me dos meus dias na Escola Básica. A turma em que estava era muito parecida com a que é descrita no livro. Foi como recuar no tempo e passar por todas as experiências, todas as brincadeiras, todas as confusões que se arranja no Básico. E criança que é criança, tem sempre histórias para contar! :)
A malta do 2º C mostra exactamente tudo o que a escola é para além das disciplinas e do que se aprende nos livros. Fala-nos do que se aprende nos intervalos, dos "acontecimentos" que se dão nas aulas, da amizade que se cria entre os vários alunos e dos disparates, que, possivelmente, os pais nunca ficaram a saber.
Catarina da Fonseca apresenta-nos a turma do 2º C de uma forma extremamente divertida e leve. Um grupo de crianças diferentes, que se entendem às mil maravilhas, apesar de cada uma ter as suas manias. A história é-nos contada através de um dos alunos da turma. No entanto, nunca ficamos a saber o seu nome, apenas aquilo que ele vê. O livro tem muitas personagens mas todas muito distintas e tão "fora do normal", o que acaba por nos ajudar a memorizar quem é quem.
Nesta história, a escola é um reitor, que já morreu mas que ainda assombra os alunos e os encarregados de educação com o seu olhar fulminante. É uma directora de turma com um "cabelo maluco planando por cima das orelhas como as copas das árvore em África". É uma professora de música, que usa expressões como "oh rico(a)!" e que, para ela, os alunos não fazem barulho mas uma sinfonia. É um professor de Trabalhos Manuais, que não consegue pregar dois pregos numa mesma tábua. É uma setôra de Ciências, que insiste que os alunos "olhem bem para o fenómeno". É uma auxiliar que, nos tempos livres, adora contar histórias sobre o reitor Simões (o reitor que já morreu) e ler a sina. É um esqueleto chamado Magalhães, que fora baptizado pelos alunos do 2º C com azeite. É uma turma com uma aluna, que passa o tempo todo a contar histórias da sua antepassada fugida dos franceses; ou com um rapaz cujo animal de estimação e mascote da turma é uma galinha; ou, ainda,com um "locutor" da rádio pirata de Galinheiras de Cima! Para a turma do 2º C a escola é uma salada de grelos e agriões, que, com as suas aventuras e teorias, nos fazem rir até não poder mais!
Para mim, este livro é simplesmente delicioso de tão divertido que é! Lê-se super rápido e deixa-nos super bem dispostos. Enfim,... faz-nos voltar à infância! :)
Boas leituras!







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