25 dezembro 2014

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O que perderam...

E, para quem possa não ter estado atento, eis o que fui escrevendo no wordpress, referente a leituras....

18 de Agosto de 2014


- Às vezes o destino leva-nos por caminhos fod****
- Isso é verdade, humano. Uma grande verdade.

(excerto do livro Na sombra do desejo de J.R.Ward)


21 de Agosto de 2014



Ela assentiu e percebeu que não passariam o dia a dormir juntos, lado a lado, na cama dele. Ou na dela.

Bebeu um gole de água e admirou-se como era possível estar sentada tão perto de alguém e sentir que essa pessoa estava completamente afastada dela.

( excerto do livro Na sombra do desejo de J.R.Ward)

20 de Setembro de 2014


 - Alguma vez tem medo de si própria, Mary?
Não se ouvia nada à nossa volta senão o tiquetaque do relógio, que de repente me pareceu muito forte. Pensei que se passaria muito antes de responder mas que o Patrão e eu não o notaríamos, pois ambos aguardávamos o que eu iria dizer. A princípio, julguei que iria responder não, ter medo de mim própria parecia estranho, mas depois reflecti que ele devia estar a referir-se ao medo do que eu pudesse fazer, ou pudesse dizer, e não do que sou ou vejo no espelho. E é verdade que, quando tenho medo, o que eu imagino é o que me assusta mais, ou seja, tenho medo do que está dentro da minha própria cabeça. Por isso, enquanto o Patrão estava sentado a fitar-me, pensei em muita coisas, e, por fim, foi quase uma surpresa ouvir-me dizer:
- Sim.

(excerto do livro Mary Reilly de Valerie Martin)


22 de Setembro de 2014


From the acclaimed author of the Orange Prize winning Property comes a fresh twist on the classic Jekyll and Hyde story, a novel told from the perspective of Mary Reilly, Dr. Jekyll’s dutiful and intelligent housemaid.
Faithfully weaving in details from Robert Louis Stevenson’s classic, Martin introduces an original and captivating character: Mary is a survivor – scarred but still strong – familiar with evil, yet brimming with devotion and love. As a bond grows between Mary and her tortured employer, she is sent on errands to unsavoury districts of London and entrusted with secrets she would rather not know…

OPINIÃO:

Mary Reilly é uma história de Valerie Martin, baseada no conto de Robert Louis Stevenson – O estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde.
Passado na era vitoriana, seguimos o dia-a-dia da jovem criada de Dr. Jekyll – Mary Reilly -, que acaba por chamar a atenção do patrão através das horríveis cicatrizes que tem no pescoço e nas mãos, lembranças do seu triste passado. Ao contrário de muitas criadas daquela época, Mary sabe ler e escrever muito bem, bem como pensa bastante nas coisas que vê e ouve. Dr. Jekyll rapidamente se apercebe que a jovem é especial e, aos poucos, vão criando um laço de confiança.
O mundo de Mary é abalado quando Dr. Jekyll anuncia que terá um assistente – Mr. Edward Hyde. Ao contrário do patrão, que sempre a tratara com carinho, educação e de forma atenciosa, Mr. Hyde é frio, arrogante e só parece tomar prazer em fazer sofrer os outros. Rapidamente a jovem toma-lhe aversão, ao mesmo tempo que se começa a preocupar com a saúde e, mais tarde, com a vida do patrão. Acreditando que pode confiar em Mary como não o pode fazer com mais ninguém, Dr. Jekyll acaba por a puxar para o seu mundo de mentiras, mundo esse que engloba Mr. Hyde e que a confunde fazendo com que a jovem deixe de saber o que pensar. Quando finalmente Mary se apercebe do que está acontecer à sua volta, acaba por ser tarde demais.
Ouvi uma carruagem a passar sobre as pedras da rua, e os passos de alguém que não vi. Rememorei todos os estranhos acontecimentos dos últimos dias – aquele quarto horrível do Soho e o lenço ensanguentado, as poucas palavras que troquei com Mr. Edward Hyde, que me encheram de uma espécie de medo entorpecente, como no princípio de um pesadelo, quando as coisas correm bem e fazem tanto sentido quanto podem fazer num sonho, e no entanto há qualquer coisa que não está bem e começo a ter vontade de acordar, embora tenha a certeza de que não será a tempo.
Mary Reilly é uma obra de 1990 e a sua adaptação de 1996, feita pelo realizador Stephen Frears, difere um pouco do livro (para não dizer bastante). No entanto, deve ser das poucas histórias em que não tive de pensar se preferia o livro ou o filme. Na minha opinião, são duas versões da mesma história, ambas válidas e interessantes. Para começar, seria muito difícil fazer um filme apenas usando os pensamentos de uma criada e as descrições das situações e dos curtos diálogos que ela vai escrevendo nos seus registos, como acontece no livro. A essência de cada personagem e pensamento de Mary encontram-se no filme, apesar de haver muitos acontecimentos que não se dão na obra.
À medida que ia lendo o livro, ia vendo várias cenas do filme na minha mente, que não tinham nada haver umas com as outras mas que me fizeram entender o porquê de estarem lá. Adorei o facto de os cenários que aparecem na película serem parecidíssimos com os que Mary descreve. No entanto, achei interessante que a relação que a jovem tem com Mr. Hyde no filme seja muito diferente na obra.
Ao contrário do que nos é mostrado na película, Mary tem pavor e aversão a Edward Hyde, evitando sempre dizer o seu nome e apenas se referindo ao assistente do patrão como “ele”.  Em nenhum momento temos o vislumbre de que a jovem pode se sentir atraída por aquela estranha figura. Já a relação que esta tem com Dr. Jekyll está aproximada, apesar de que, no livro, conseguimos ver melhor o sentimento de Mary Reilly a crescer pelo patrão de forma muito subtil. Através de gestos e pensamentos, que a protagonista vai descrevendo nos seus registos, vamos nos apercebendo que o seu afecto é cada vez maior e que nem mesmo ela está ciente disso.
Confesso que achei curioso a autora ter incutido na história de forma muito boa o “sexto sentido feminino”, isto é, a partir do momento em que Mr. Hyde surge, Mary Reilly tem a sensação que algo não está bem. Tanto Mr. Hyde como Dr. Jekyll vão dando-lhe pistas sobre o que se está a passar e a jovem, observadora como é, vai colectando-as. Só que a resposta é tão aterradora e impensável que nem Mary quer acreditar, fazendo com que a jovem apenas descreva que não sabe o que pensar, à medida que vai se aproximando cada vez mais da verdade.
A verdade sempre estivera à minha frente, sobretudo naquela última noite, (…) mas eu não compreender, como se fosse demasiado teimosa para aceitar a verdade. Quantas vezes ele me disse? Mas o Patrão tinha razão, quem acreditaria naquilo?
Adorei os últimos momentos que Mary tem com o seu patrão, Dr. Jekyll, e o subtil romantismo que envolve cada atitude que têm um para com o outro. É de uma ternura imensa e, apesar de não haver nada explícito, conseguimos perceber que cada gesto era ousado para a época em questão.
Também tenho de mencionar que é notória a pesquisa que a autora fez da obra de Robert Louis Stevenson, em que se baseou pois, em vários momentos, vemos trechos dela nos relatos de Mary.
Vi dezenas de vezes o filme de 1996 e demorei quase 10 anos para encontrar a obra, mas confesso que, após a sua leitura, não me sinto desanimada. É um livro digno de um best-seller? Não e o filme (infelizmente) também não o é mas nem por isso vai deixar de continuar a ser uma das obras que mais me fascina e me define. Para quem estiver interessado em conhecer outra visão do famoso caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde aconselho a leitura deste livro. ^^


2 de Outubro de 2014



Fairy Oak é uma aldeia mágica e antiga, escondida entre os intervalos de um tempo imortal. Para a encontrar, é necessário viajar por entre planaltos escoceses e os rochedos da Normandia, por um vale florido da Bretanha, entre os prados verdes irlandeses e as baías do oceano. 
A aldeia é habitada por criaturas mágicas e seres humanos, mas é difícil distinguir-se uns dos outros, Crianças, fadas, magos, feiticeiras e cidadãos comuns habituam naquelas casas de pedra há tanto tempo, que já não reparam nas suas diferenças. Com o passar do tempo, foram-se assemelhando um pouco! As fadas, que são muitas, são pequenas, luminosas… e voam! Os magos e as feiticeiras do vale chamam-nas para cuidar das crianças da aldeia. Esta história é contada precisamente por uma delas: Feli, a fada das gémeas Baunilha e Pervinca. 

OPINIÃO:

A primeira vez que vi este livro fiquei fascinada! É claro que o coloquei na lista de livros a ler. Se me incomodava ser um livro juvenil? De modo algum! Todos sabem que, de vez em quando, devemos libertar a criança dentro de nós. :P  Sendo assim, quando finalmente achei o primeiro volume desta trilogia, na secção de criança da Biblioteca Municipal, não hesitei em trazê-lo para casa, e ainda bem que o fiz!
Fairy Oak conta-nos a história de Feli, uma fada babysitter da família Periwinkle, e o dia-a-dia na aldeia. Feli foi contratada para cuidar das crianças da família – Baunilha e Pervinca – e, apesar de gémeas, são ambas muito diferentes uma da outra. Enquanto Feli nos vai contando as pequenas aventuras das duas crianças, indícios de que um antigo inimigo da aldeia se aproxima, vão surgindo e alarmando os cidadãos de Fairy Oak. Quem será este inimigo e o que este quer, são perguntas que vão sendo respondidas pouco a pouco ao longo da história, enquanto vamos conhecendo os habitantes da aldeia.
Eu devo admitir que o encanto deste livro está no ambiente familiar, no aconchego que sentimos enquanto desfolhamos mais uma página e nas belas ilustrações que vamos encontrando pelo caminho. É uma história que nos fala na amizade verdadeira, na união das pessoas face a tempos difíceis e na importância da família. Um livro que nos faz sentir junto da natureza!
Aconselho vivamente a sua leitura! ;)

9 de Outubro de 2014


- Isso é bem verdade – retorquiu Elizabeth -, e eu de boa vontade perdoaria o seu orgulho, não fora ele ter ofendido o meu.
– Inclino-me a pensar que o orgulho – comentou Mary, que gostava de fazer gala da solidez das suas reflexões. – é um defeito muito comum. Aliás, por tudo aquilo que já li, estou convencida de que é realmente muito frequente, de que a natureza humana lhe é particularmente propensa e de que apenas muito poucos de nós não nutrirão um idêntico sentimento de satisfação consigo mesmos à conta de uma ou outra virtude, seja ela real ou imaginária. A vaidade e o orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam muitas vezes usadas como sinónimos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. O orgulho diz sobretudo respeito à opinião que formamos de nós mesmos, a vaidade, àquela que gostaríamos que tivessem de nós.
(excerto do livro Orgulho e Preconceito de Jane Austen)


21 de Outubro de 2012


Poucas são as pessoas a quem amo verdadeiramente e ainda menos aquelas de quem tenho boa opinião. Quanto mais conheço do mundo, mais desiludida fico, e cada dia que passa só vem confirmar a minha opinião sobre a inconsistência do carácter humano e a pouca confiança que nos merece a aparência de mérito ou de bom senso.

(Excerto do livro Orgulho e Preconceito de Jane Austen)

25 de Outubro de 2012


Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura 3º Ciclo, Leitura Autónoma
Jane Austen nasceu em Hampshire, em 1775. Já adulta, mudou-se com a família para Bath, cidade que surge muitas vezes como cenário da sua ficção literária. Regressaria mais tarde a Hampshire, onde passou os últimos anos da sua vida e onde veio a falecer em 1817. “Amor e Amizade” marca o início da sua carreira aos 15 anos de idade. Mas é com “Orgulho e Preconceito” (1813) que se dá a transição para a fase da maturidade da sua escrita, em que surgem os seus últimos e, possivelmente, melhores romances. Entre estes encontra-se Parque de Mansfield, a par de Persuasão e Ema. “Orgulho e Preconceito” é, sem dúvida, uma das obras em que melhor se pode descobrir a personalidade literária de Jane Austen. Com o fino poder de observação que lhe era peculiar, a autora dá-nos um retrato impressionante do que era o mundo da pequena burguesia inglesa do seu tempo: um mundo dominado pela mesquinhez do interesse, pelo orgulho e preconceitos de classe. Esses orgulho e preconceito que, no romance, acabam por ceder o passo a outras razões com bem mais fundas raízes no coração humano.

OPINIÃO

Orgulho e Preconceito é talvez um dos clássicos mais aclamados de Jane Austen bem como um dos mais famosos. Traduzido em várias línguas, a história de amor de Elizabeth Bennet e Mr. Darcy continua a encantar leitores de todo o mundo.
Elizabeth “Lizzy” Bennet é uma jovem espirituosa, que juntamente com a sua família vê a sua vida dar uma reviravolta com a chegada de Mr. Bingley e Mr. Darcy. Desde o primeiro momento em que se conhecem, Lizzy sente-se intrigada por Mr. Darcy, levando-a a tentar compreender que tipo de homem ele é. No entanto, as opiniões que ouve a seu respeito são tão diferentes umas das outras, que a jovem acaba por não saber o que pensar. Através do orgulho e do preconceito, tal como o título indica, as duas personagens percorrem um caminho cheio de confusões e desentendimentos.
Para quem ainda não leu nenhum trabalho desta autora, Jane Austen utiliza muito a ironia nas suas críticas sociais. Este clássico não é excepção à regra. Nele encontramos críticas feitas à educação, à cultura, à moral e ao casamento, bem como a autora ainda chama atenção para a importância do conhecimento de si mesmo, através dos dois personagens principais.
Eu confesso que sou uma fã de Jane Austen há algum tempo, apesar de ainda não ter conseguido ler todas as suas obras. Uma das coisas que adoro nela é o facto de os assuntos que são tratados nas suas histórias continuarem a ser actuais, e isso é algo que acontece também com este clássico.
Orgulho e Preconceito é uma obra maravilhosa, que vamos compreendendo melhor a cada leitura que fazemos dela. Um livro obrigatório para quem adora romances ou, simplesmente, ler.

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