Roger Ackroyd sabia
demais. Sabia que a mulher que amava envenenera o primeiro marido, um
homem extremamente violento, e suspeitava que ela era vítima de
chantagem. Agora, que as trágicas notícias sobre a sua morte apontavam
para um suícidio por overdose, eram muitas as perguntas que pareciam não
ter respostas. Mas quando pensava estar perante as primeiras pistas
sobre o caso, Ackroyd ver-se-ia envolvido num homicídio brutal: o seu! O
Dr. Sheppard, médico da aldeia, fala então com o vizinho, um detective
reformado que escolhera o campo para passar tranquilamente os seus
últimos anos de vida. A escolha não podia ser mais acertada pois o
pacato vizinho era nem mais nem menos que o belga Hercule Poirot...
Tenho 'dito' muitas vezes que sou uma grande fã da escritora Agatha Christie. Gosto da maneira como a autora pensava, e ia construindo as suas personagens e enredos. Quando se inicia um livro, nunca se sabe como este terminará ou que surpresas poderá encontrar-se. Com esta obra não foi diferente.
Confesso que já tinha visto a adaptação e, por isso, quando passei pela biblioteca, não consegui deixar de trazer o livro para casa. Creio agora que, em parte, foi uma péssima ideia tê-la visto primeiro. Não só porque já sabia quem era o assassino mas principalmente por isso! Não é a mesma coisa quando já se tem a resposta ao puzzle que nos é apresentado, especialmente quando esse puzzle é um policial de Agatha Christie.
Através de uma das personagens, vamos ficando a par da história. Em King's Abbott, uma aldeia pitoresca e coscuvilheira, descobre-se que Mrs. Ferrars morreu. Mais tarde, Roger Ackroyd, um dos homens mais influentes da aldeia, é encontrado também morto na sua própria casa. Tudo indica que o sobrinho de Ackroyd, Ralph Paton, é o culpado. No entanto, Poirot não tem assim tanto a certeza. São várias as personagens suspeitas, todas com algum segredo e motivo aparente para ter cometido o crime. Ao longo da história, vamos seguindo atentamente os passos do detective e desvendando cada um dos motivos, nunca imaginando o que está mesmo à frente do nosso nariz.
Confesso que não gostei do final deste livro. Entre o final escrito pela rainha do crime e o final escolhido na adaptação, gostei mais do final da adaptação (o que costuma ser raro). Achei o final da autora muito soft e bondoso, além de irreal. Ou talvez eu assim pense por não concordar com ele...
Ainda assim, gostei das reviravoltas e da investigação tortuosa que Poirot vai fazendo para chegar até à verdade. O assassinato de Roger Ackroyd não é um dos casos que mais gostei mas, sem dúvida, é polémico e interessante. Aconselho! :)








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