05 novembro 2015

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Desafio literário 2015 - Jane Eyre (Opinião)

Jane Eyre é uma obra-prima da literatura inglesa, a autobiografia ficcionada de uma jovem que, depois de uma infância e adolescência desprovidas de afecto, se torna perceptora em Thornfield Hall e se apaixona pelo seu proprietário, Mr. Rochester. Plenamente correspondida nos seus sentimentos, Jane julga ter encontrado o amor por que ansiara toda a vida, mas Thornfield Hall esconde um segredo tenebroso que ameaça ensombrar a sua felicidade. Numa atmosfera misteriosa e inesquecível, acompanhamos esta heroína de espírito puro e apaixonado, que se recusa a aceitar o lugar que a sociedade lhe reservou e trava uma luta interior constante para se manter fiel às suas convicções e a si própria. Considerado muito à frente do seu tempo, este romance eleva-se à esfera da genialidade pela forma soberba como retrata a sociedade da época, pela inteligência e originalidade na prosa, pela intensidade emocional que impregna cada uma das suas páginas. Jane Eyre tem agora uma nova versão cinematográfica, com Mia Wasikowska, Michael Fassbender e Judi Dench nos principais papéis.


OPINIÃO

A única experiência que tinha com as irmãs Brontë tinha sido O Monte dos Vendavais, de Emily Brontë. Foi uma agradável surpresa e um alívio descobrir que Jane Eyre é uma obra completamente diferente. A escrita de Charlotte é fluída e cheia de referências poéticas e bíblicas inseridas na história de modo inteligente. A sua escrita é rica e também mais calorosa que a de sua irmã Emily.
Jane Eyre é um romance dramático mas delicioso! As suas personagens são complexas e muito interessantes. Gostei bastante de todas elas, em especial de Helen Burns, Miss Temple e Mr. Rochester. Todas as personagens, que vão passando pela vida de Jane, ensinam-lhe algo mas, na minha humilde opinião, duas das mais importantes foram Helen Burns e Miss Temple. Elas ajudaram a 'construir' a Jane que vai viver para Thornfield Hall, a Jane que aprende a ser mais branda perante os erros e defeitos dos outros, a ser mais misericordiosa e menos rancorosa com quem a magoou. Na verdade, esse é um dos pontos que é 'discutido' na primeira parte da obra: se devemos deixar a raiva tomar conta de nós ou se devemos perdoar a quem nos fez mal, de forma a não deixar que essa raiva crie raízes no nosso coração.
Adorei a relação entre Mr. Rochester e Jane Eyre, das suas conversas à lareira, mas o que realmente me encantou, foi o facto de Charlotte Brontë criar personagens falíveis e evidenciar isso ao longo de toda a obra. Todas as personagens têm os seus defeitos e qualidades. Mr. Rochester, por exemplo, não é um herói romântico. É a desgraça total! A autora desproveu-o de beleza e, no seu lugar, deu-lhe uma personalidade instável e excêntrica, transformando-o numa alma perdida. E ainda assim, ele consegue ser uma personagem deliciosa, um homem digno de ser amado por Jane e pelo leitor. 
Quanto a Jane, fiquei admirada e, por vezes, confusa com a sua maneira de ser. Jane Eyre é uma mulher forte, justa, carinhosa e apaixonada mas não dada a sentimentalismos. Ao longo de todo o romance, reparei que, ao contrário de outras leituras deste género, a protagonista não se desfaz em lamúrias ou em declarações apaixonadas, apesar de ela ser a narradora da história (algo de que gostei muito também). Não, ela é uma personagem apaixonada mas racional e prática, que conhece o seu valor e cujo o mais importante é estar de consciência limpa e ser fiel a si mesma, nem que para isso tenha de perder ou magoar quem ama.
Gostei da forma como a história termina e do facto da autora ter explicado o que aconteceu a cada uma das personagens que vão surgindo na vida de Jane. E toda a atmosfera de suspense e mistério em torno de Thornfield Hall é absolutamente fantástica! Não só deixa-nos a pensar como dá mais um incentivo para continuar a leitura.
Tal como referi anteriormente, a escrita da autora é fluída e inteligente. Porém, houve momentos em que me aborreci um pouco com tantos pormenores. Ainda assim, adorei o livro. Outra coisa que me aborreceu também foram as gafes constantes que fui encontrando ao longo do livro. Não gostei muito desta edição mas era a única que havia na biblioteca perto de casa. 
Jane Eyre foi uma obra que me surpreendeu e que me deu muito prazer em ler. Sem dúvida, um clássico maravilhoso, com romance, drama, suspense e que nos lembra que amar alguém, é amar as suas qualidades mas, principalmente, os seus defeitos. 


Para terminar, irei incluir este livro no desafio literário 2015 (algo que já não faço à muito tempo), no tópico:

15. Um livro com adaptação no cinema

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