Quando os sinos da Igreja do Calvário deram as seis horas, viu o senhor e a senhora Biggs a descerem rapidamente os degraus da entrada da casa, apressando-se para chegarem às lojas antes da hora do fecho. Acenaram-lhe, e ela a eles. Alguns minutos depois, enxugando as lágrimas, dirigiu-se vagarosamente em direcção a casa, apertando os manurais contra o peito, olhando a relva e os trevos e as abelhas esvoaçantes. Se se tivesse virado para a esquerda, talvez tivesse visto, no lado oposto do parque, o homem que a observava do lado de fora da vedação de ferro forjado.
Este homem estava a observá-la há muito tempo. Tinha uma mala preta na mão e estava, também, vestido de preto – com roupa a mais, na verdade, atendendo ao calor. Não tirou os olhos da rapariga enquanto ela atravessava a rua e subiu as escadas de casa, uma bonita construção de pedra calcária, com dois leões de pedra em miniatura a montarem uma ineficaz guarda em cada um dos lados da porta. Viu-a abrir a porta sem ter de a destrancar.O homem também tinha observado os dois velhos criados a sair de casa. Olhando de relance para a esquerda e para a direita, e por cima do ombro, começou a andar. Aproximou-se rapidamente da casa, subiu os degraus e experimentou a porta, encontrando-a ainda destrancada.
Excerto d'A interpretação do crime, de Jed Rubenfeld







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