Como primeiro livro para iniciar
os desafio literários, escolhi Mary Reilly. É verdade que já o
tinha lido no ano passado (para quem não se lembra, a minha opinião encontra-se
aqui) mas, tal como já referi, é uma obra que me é muito especial.
Mary Reilly é uma jovem criada do
século XIX que nos descreve, através dos seus registos, as coisas que vão
acontecendo na casa onde trabalha e que ela não entende.
É uma obra baseada no clássico de
Robert Louis Stevenson – The Strange Case
of Dr. Jekyll and Mr. Hyde. Esse é
um clássico que me agrada bastante, não só pela época que retrata como pela sua
temática. A história de Mary Reilly sempre me fascinou e a sensação que tenho é
que quanto mais a leio, mais gosto dela. É um livro que, apesar de me causar
sempre uma ligeira nostalgia, também acalma o espírito, dá-me aconchego.
Por vezes quando lemos o mesmo
livro várias vezes, começamos a perceber coisas que antes nem sequer tínhamos
reparado. Isso aconteceu-me desta vez. Mais do que nunca, dei por mim a pensar
o quanto esta história é feita de sombras, de lutas entre o bem e o mal, entre
o certo e o errado, entre a luz e a escuridão, entre aquilo que verdadeiramente
somos e a imagem que passamos para a sociedade, que nem sempre reflete a
realidade mas que é aquela que nos faz ser aceites. Houve dois aspectos que
achei interessantes e que, da primeira vez que li, não tinha reparado. A
primeira é a possível razão para que o patrão de Mary, Dr. Jekyll, se
interessar e confiar tanto nela. A outra é o facto de Mary se assustar várias
vezes consigo mesma, tendo algumas delas a sensação que alguém está mesmo atrás
de si a observá-la, e que, quando se volta, é apenas o seu reflexo no espelho
articulado. Isso fez-me pensar se Valerie Martin, a autora, não o fez de
propósito. A meu ver, a razão para Dr. Jekyll reparar na sua criada, é o
simples facto de ela se mostrar uma pessoa diferente dos outros e muito
semelhante a ele mesmo.
Quanto ao outro assunto, acho
que foi uma ideia de jogar com o inconsciente humano e o “sexto sentido” que
todos temos. Isto é, levar-nos a pensar que existe uma outra Mary que sabe de
tudo o que está acontecer e que insiste em chamar atenção daquela Mary
inocente, que relata os acontecimentos e se sente confusa. A verdade é que
todos nós já tivemos momentos em que sentíamo-nos observados, como se alguém estivesse
atrás de nós e que, quando nos voltamos, não vemos ninguém.
Relativamente ao desafio literário de 2015, eu
irei incluir este livro nos tópicos:
16. Um livro que já tenha lido
21. Um livro que uma personagem tenha o seu
nome ou de algum familiar (pai, mãe, irmão, marido/esposa, etc) - Tenho uma tia com o nome Maria e a personagem principal chama-se Mary.
Para terminar este post, vou fazê-lo com uma pequena citação, que mostra bem a essência do livro e das suas personagens.
O Patrão levantou o candeeiro na sua frene e, com um movimento da mão, fez a sombra saltar outra vez. Ficou a observar a sombra a mover-se, mas disse-me:
- Até que ponto diria que temos a ver com as nossas sombras, Mary? Se nós as projectamos, não fazem elas então sempre parte de nós?
- Senhor, são apenas um efeito da luz. - disse eu.
(...)
- Talvez nós sejamos o efeito da luz, Mary. (...)








2 comentários:
Gosto da maneira como a autora faz essas comparações entre o bem e o mal, o que nós realmente somos, gosto bastante da expressão "Talvez nós sejamos o efeito da luz, Mary. (...)".
Acho que vou dar uma oportunidade ao livro, após ver o filme!
Agradeço o facto de dares opiniões simples.
Eu bem tento Filipe, embora ache que nem sempre estas estão assim tão simples. Mas obrigada. ^^
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