'O Fantasma da Ópera' é o caso típico da criatura que dominou o criador - no caso, o escritor francês Gaston Leroux. Este clássico mantém-se vivo no imaginário mundial ao longo de quase um século. Mas durante este período o texto de Leroux sofreu algumas modificações. Nesta edição prefaciada por João Máximo, nota-se o resgate do enredo original. Com um poder quase mágico de cativar o leitor em situações de terror e suspense, misturando amor, ciúme e traição, Gaston Leroux criou essa história que retrata uma jovem cantora lírica que credita seu sucesso ao 'Anjo da Música', uma voz que a visita todos os dias em seu camarim para dar aulas de canto.
OPINIÃO
Primeiramente, tenho de confessar que me sinto incrivelmente
desapontada. Acho que todos os amantes de livros concordarão comigo quando digo
que é o que nós (leitores) sentimos quando o livro que estávamos a ler não nos
consegue cativar e deita por terra o nosso entusiasmo.
Há já muito tempo que queria ler a obra de Gaston Leroux mas
até hoje não tinha tido oportunidade. Quando o encontrei por acaso na
biblioteca perto de casa, achei que era uma boa altura para o ler. Talvez o
tenha começado com demasiada expectativa. À medida que fui avançando na
leitura, essa expectativa foi-se perdendo juntamente com o entusiasmo que
sentia, chegando mesmo nos últimos capítulos a faltar até paciência!
Para começar, não gostei da escrita do autor, embora eu
esteja na dúvida se a culpa não é da tradução. Achei a escrita confusa e, a
partir do meio da história, um pouco aborrecida por ter tanta descrição.
Esperava “perder-me” na história mas isso não aconteceu. Aliás, tive imensa
dificuldade em entrar nela, o que fez com que não a conseguisse apreciar como
devia.
Em relação ao enredo (para quem não conhece a obra ou viu as
adaptações que foram feitas para o cinema e o teatro), a história passa-se no
Teatro de Ópera de Paris e conta-nos a história do fantasma que vivia nos seus
alçapões. Um dia, o fantasma, conhecido como Fantasma da Ópera, depara-se com a
bela Christine Daae e apaixona-se por ela. Convencida que o Fantasma é o Anjo
da Música, enviado pelo seu pai já falecido, Christine deixa-o aproximar-me
fazendo-o pensar, inconscientemente, que também se apaixonou por ele. Até que
um dia o Visconde de Chagny (Raoul) aparece e o Fantasma descobre que o coração
de Christine nunca lhe pertenceu. Enfurecido, decide colocar nas mãos da sua
amada o destino do Teatro e de todos os que se encontram nele, mostrando-lhe
uma faceta obscura e mortífera.
Quanto às personagens, houve uma delas que me irritou
profundamente. Falo de Raoul, o “cavaleiro andante” da história mas lá
chegarei. Nesta obra, como personagens principais temos: o Fantasma (ou Erik)
cheio de humor negro e ironia, que apenas deseja amar e ser amado, super
inteligente e voltado para as Artes; a Christine Daae ingénua, manipulável,
bondosa e com um grande conflito interior; e o Visconde de Chagny (ou Raoul) tímido,
infantil, inseguro, com tendências para o dramatismo e que, na minha opinião,
chora mais do que as personagens femininas de vários livros que já li. Confesso
que este triângulo amoroso irritou-me ligeiramente pois faz do Fantasma um
pequeno demónio, de Christine a princesa presa na torre e de Raoul o príncipe
encantado que irá salvar a donzela em apuros. Raoul é descrito muitas vezes
como um homem corajoso mas, para mim, é um ser imprudente e impulsivo, que
acaba quase sempre por colocar os que o rodeiam em apuros. E já referi que ele
chora imeeeeeeeenso?
Não consegui sentir-me encantada pela história de amor de
Christine e Raoul. Achei-a entediante e deveras exagerada. Na verdade, toda a
história é muito teatral, tendo até momentos hilariantes de tão descabidas que
as cenas/diálogos são. Mas isso até entendo e “deixo passar” pois acho que o
autor o fez por o enredo se passar num Teatro.
Confesso que, ao ler os últimos capítulos, não via a hora de
terminar a obra. Mais uma vez digo que não tenho bem a certeza se a culpa é da
escrita do autor ou da tradução feita. O que sei é que fiquei tremendamente
desapontada e triste pois acreditava que iria se tornar uma das minhas obras favoritas.
Nunca tinha lido o livro, apenas havia visto a adaptação de 2004 com o roteiro
de Andrew Lloyd Webber. Continuarei a adorar ver esta adaptação mas acho que não voltarei a ler
a obra.
No entanto, tenho de concordar com outras críticas que li
noutros blogues, quando falam na moral que o autor quis incutir na sua obra. Se
pensarmos no Fantasma, este era um homem que apenas queria ser visto como
normal e que, com o seu intelecto, conseguiu cativar a mente e quiçá um pouco
do coração de Christine. Mas quando a jovem descobre a fealdade do Fantasma, o
encanto perde-se e ela passa a temê-lo. A ideia com que fiquei foi que se o
Fantasma não fosse feio ou disforme, Christine teria se apaixonado
completamente por ele e Raoul acabaria por não ter hipóteses. A questão é: será
que isso faz de Christine fútil ou real? No fundo, acho que essa foi uma das razões para
a obra de Gaston Leroux ter-se tornado um clássico. Leroux chamou atenção dos
seus leitores e obrigou-os a pensar se, na maioria das vezes, não olham para as
pessoas preconceituosamente, sem antes as conhecerem. E nisso, tiro-lhe o
chapéu.
Quanto ao desafio literário, irei incluir este livro no tópico:
23. Um livro com prólogo
Quanto ao desafio literário, irei incluir este livro no tópico:
23. Um livro com prólogo








2 comentários:
Ainda não li este livro mas já tinha ouvido dizer que a história era muito diferente do musical. Ainda quero ler mas vou tentar abordá-lo com baixas expectativas
Ao contrário de ti, eu pensava que era parecido e as minhas expectativas eram bem altas. Pode-se dizer que aprendi uma boa lição!
Obrigada pelo comentário Catarina!
Beijinhos*
Enviar um comentário