26 janeiro 2015

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Desafio literário 2015 - O Fantasma da Ópera (Opinião)

'O Fantasma da Ópera' é o caso típico da criatura que dominou o criador - no caso, o escritor francês Gaston Leroux. Este clássico mantém-se vivo no imaginário mundial ao longo de quase um século. Mas durante este período o texto de Leroux sofreu algumas modificações. Nesta edição prefaciada por João Máximo, nota-se o resgate do enredo original. Com um poder quase mágico de cativar o leitor em situações de terror e suspense, misturando amor, ciúme e traição, Gaston Leroux criou essa história que retrata uma jovem cantora lírica que credita seu sucesso ao 'Anjo da Música', uma voz que a visita todos os dias em seu camarim para dar aulas de canto.


OPINIÃO

Primeiramente, tenho de confessar que me sinto incrivelmente desapontada. Acho que todos os amantes de livros concordarão comigo quando digo que é o que nós (leitores) sentimos quando o livro que estávamos a ler não nos consegue cativar e deita por terra o nosso entusiasmo.
Há já muito tempo que queria ler a obra de Gaston Leroux mas até hoje não tinha tido oportunidade. Quando o encontrei por acaso na biblioteca perto de casa, achei que era uma boa altura para o ler. Talvez o tenha começado com demasiada expectativa. À medida que fui avançando na leitura, essa expectativa foi-se perdendo juntamente com o entusiasmo que sentia, chegando mesmo nos últimos capítulos a faltar até paciência!
Para começar, não gostei da escrita do autor, embora eu esteja na dúvida se a culpa não é da tradução. Achei a escrita confusa e, a partir do meio da história, um pouco aborrecida por ter tanta descrição. Esperava “perder-me” na história mas isso não aconteceu. Aliás, tive imensa dificuldade em entrar nela, o que fez com que não a conseguisse apreciar como devia.
Em relação ao enredo (para quem não conhece a obra ou viu as adaptações que foram feitas para o cinema e o teatro), a história passa-se no Teatro de Ópera de Paris e conta-nos a história do fantasma que vivia nos seus alçapões. Um dia, o fantasma, conhecido como Fantasma da Ópera, depara-se com a bela Christine Daae e apaixona-se por ela. Convencida que o Fantasma é o Anjo da Música, enviado pelo seu pai já falecido, Christine deixa-o aproximar-me fazendo-o pensar, inconscientemente, que também se apaixonou por ele. Até que um dia o Visconde de Chagny (Raoul) aparece e o Fantasma descobre que o coração de Christine nunca lhe pertenceu. Enfurecido, decide colocar nas mãos da sua amada o destino do Teatro e de todos os que se encontram nele, mostrando-lhe uma faceta obscura e mortífera.
Quanto às personagens, houve uma delas que me irritou profundamente. Falo de Raoul, o “cavaleiro andante” da história mas lá chegarei. Nesta obra, como personagens principais temos: o Fantasma (ou Erik) cheio de humor negro e ironia, que apenas deseja amar e ser amado, super inteligente e voltado para as Artes; a Christine Daae ingénua, manipulável, bondosa e com um grande conflito interior; e o Visconde de Chagny (ou Raoul) tímido, infantil, inseguro, com tendências para o dramatismo e que, na minha opinião, chora mais do que as personagens femininas de vários livros que já li. Confesso que este triângulo amoroso irritou-me ligeiramente pois faz do Fantasma um pequeno demónio, de Christine a princesa presa na torre e de Raoul o príncipe encantado que irá salvar a donzela em apuros. Raoul é descrito muitas vezes como um homem corajoso mas, para mim, é um ser imprudente e impulsivo, que acaba quase sempre por colocar os que o rodeiam em apuros. E já referi que ele chora imeeeeeeeenso?
Não consegui sentir-me encantada pela história de amor de Christine e Raoul. Achei-a entediante e deveras exagerada. Na verdade, toda a história é muito teatral, tendo até momentos hilariantes de tão descabidas que as cenas/diálogos são. Mas isso até entendo e “deixo passar” pois acho que o autor o fez por o enredo se passar num Teatro.
Confesso que, ao ler os últimos capítulos, não via a hora de terminar a obra. Mais uma vez digo que não tenho bem a certeza se a culpa é da escrita do autor ou da tradução feita. O que sei é que fiquei tremendamente desapontada e triste pois acreditava que iria se tornar uma das minhas obras favoritas. Nunca tinha lido o livro, apenas havia visto a adaptação de 2004 com o roteiro de Andrew Lloyd Webber. Continuarei a adorar ver esta adaptação mas acho que não voltarei a ler a obra.
No entanto, tenho de concordar com outras críticas que li noutros blogues, quando falam na moral que o autor quis incutir na sua obra. Se pensarmos no Fantasma, este era um homem que apenas queria ser visto como normal e que, com o seu intelecto, conseguiu cativar a mente e quiçá um pouco do coração de Christine. Mas quando a jovem descobre a fealdade do Fantasma, o encanto perde-se e ela passa a temê-lo. A ideia com que fiquei foi que se o Fantasma não fosse feio ou disforme, Christine teria se apaixonado completamente por ele e Raoul acabaria por não ter hipóteses. A questão é: será que isso faz de Christine fútil ou real? No fundo, acho que essa foi uma das razões para a obra de Gaston Leroux ter-se tornado um clássico. Leroux chamou atenção dos seus leitores e obrigou-os a pensar se, na maioria das vezes, não olham para as pessoas preconceituosamente, sem antes as conhecerem. E nisso, tiro-lhe o chapéu. 

Quanto ao desafio literário, irei incluir este livro no tópico:

23. Um livro com prólogo

2 comentários:

Anónimo disse...

Ainda não li este livro mas já tinha ouvido dizer que a história era muito diferente do musical. Ainda quero ler mas vou tentar abordá-lo com baixas expectativas

Unknown disse...

Ao contrário de ti, eu pensava que era parecido e as minhas expectativas eram bem altas. Pode-se dizer que aprendi uma boa lição!
Obrigada pelo comentário Catarina!
Beijinhos*

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