03 fevereiro 2015

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Desafio literário 2015 - O último capítulo (Opinião)

Vivemos na época dos best-sellers. As editoras só querem publicar best-sellers, os leitores só querem ler best-sellers... e há quem faça tudo para escrever um.

Quando Brendan Stokes, um escritor falhado, descobre o cadáver do vizinho, descobre também que lhe saiu a sorte grande: perto d corpo está uma obra-prima acabada de escrever. Decide fingir ser o autor do manuscrito e, quando os contratos milionários começam a chegar, a fraude revela ser uma maneira muito mais fácil de enriquecer do que escrever o seu próprio livro. 
Mas a teia de mentiras torna-se tão extensa que Brendan tem dificuldade em manter a sua história. E com a polícia, a sua mulher e uma série de amigos a fazerem perguntas sobre o vizinho e o seu best-seller, cedo se apercebe que para roubar um livro também terá que roubar vidas.


OPINIÃO:

Comprei este livro na Feira do Livro do ano passado pois a sinopse chamou-se atenção e já tinha lido críticas favoráveis a seu respeito.
O último capítulo leva-nos à Irlanda, para dentro da vida e da mente de Brendan Stokes, um escritor falhado, que está constantemente a ser rejeitado pelas editoras. Apesar de estar à vista de todos que Brendan não tem o que é necessário para ser um grande escritor, o protagonista insiste nisso até ao dia em que, cansado do cheiro nauseabundo que vem de um dos andares do prédio de onde mora, encontra o cadáver do vizinho e com ele um manuscrito, digno de uma obra-prima. Depois de muito pensar e averiguar que ninguém sabe da sua existência, Stokes decide fingir que o manuscrito é seu. Quando os contratos milionários das editoras desatam a chegar, também as perguntas começam a surgir. Brendan vê-se assim num enredo de mentiras, que o levam a matar para se proteger.
Para começar, gostei muito da ideia base da história. Até onde somos capazes de ir para conseguir o que verdadeiramente desejamos e qual é o limite quando se trata de proteger esse desejo? Aparentemente, somos capazes de tudo pois não existem limites! 
A princípio não entendia porque motivo o livro tinha uma capa tão escura e triste mas, à medida que comecei a ler a obra, rapidamente percebi. Neste caso, é como se a janela que está na capa, fosse a janela do apartamento do protagonista e as folhas do livro, o seu interior.
Ao começarmos a ler os primeiros capítulos, deparamo-nos com um cenário precário e deplorárel, com personagens mesquinhas e até desprezíveis, que em muito lembram as cores da capa do livro. A acção é lenta no começo mas rapidamente isso muda, e a escrita é fluída e de fácil compreensão. Gostei do facto do autor usar os pensamentos de Brendan para nos ir actualizando sobre o ponto da situação em que a história se encontrava, pois torna-se fácil nos perdermos no leque de mentiras que este cria para se proteger.
Falando do protagonista, este talvez tenha sido um dos primeiros livros em que não gostei dele, isto é, este tal como todas as restantes personagens é bastante real mas o tipo de pessoa que demonstra ser, fez-me desgostar dele e torcer para que se desse muito mal. Em contrapartida, adorei o personagem Dennis Cambridge. Não querendo dar muitos spoilers, Dennis é o policial que irá dificultar a vida de Brendan. Durante a leitura da obra, o que mais me deu prazer foi ver o policial Cambridge a fazer suar Stokes com as suas perguntas pertinentes. Também tenho de ressaltar os momentos creepy que existem na história e tudo porque esta é contada na primeira pessoa. Houve momentos em que me arrepiei tamanha era a frieza do personagem.
Em conclusão, quando peguei neste livro para o ler, pensei que talvez tivesse feito uma má compra mas não podia estar mais errada. O livro é muito bom, bem escrito e repleto de acção e mistério, dando até para darmos pequenas risadas perante alguns pensamentos de Stokes. Recomendo a quem gostar do estilo policial/crime/mistério.

Irei incluir este livro no desafio literário 2015, no tópico:

24. Um livro com epílogo. 

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