Victor
Frankenstein, médico do séc. XIX, vive obcecado pela ideia da génese da vida e
da capacidade de ressuscitar os mortos. As suas experiências científicas
levam-no a criar um ser feito a partir de fragmentos de cadáveres humanos.
Quase dois séculos passados, essa criatura solitária e menosprezada por todos
continua à deriva, numa busca constante pelo seu lugar no mundo. Quando
descobre que vários outros seres monstruosos se preparam para extinguir a raça
humana, ele vê-se a braços com algo com que nunca esperaria: a defesa daqueles
que sempre o quiseram destruir. Com o clássico de terror de Mary Shelley como
pano de fundo, um filme de acção e aventura realizado por Stuart Beattie
(conhecido argumentista de Halo, Australia ou Pirates of the Caribbean), que se inspira na novela gráfica de
Kevin Grevioux. No elenco, Aaron Eckhart, Bill Nighy, Miranda Otto e Yvonne
Strahovski, entre outros.
Quando
vi o trailer deste filme fiquei curiosa. No entanto, li várias críticas
negativas e outras tantas positivas, que me fizeram ficar sem saber muito bem o
que é que deveria pensar sobre a qualidade do filme. Assim que houve uma
oportunidade de o assistir, peguei nuns snacks e deitei-me na cama a vê-lo. Se
calhar não devia ter ido com tanto entusiasmo.
I, Frankenstein conta-nos a história de Adam,
a criatura que Victor Frankenstein criou e da sua luta em se manter no nosso
mundo. Adam só quer ser amado e viver em paz, quer aprender a compreender a
mente humana e todos os sentimentos que tem dentro de si. Mas isso não é
possível enquanto o Príncipe dos Demónios andar à procura dele. Adam
descobre-se no meio de uma luta antiga entre Gárgulas e Demónios, onde ele é a
chave para salvar a humanidade.
A
história da criatura é-nos contada de uma forma muito sucinta. Com essa pequena
introdução, através da perspectiva da própria criatura, começamos a entrar na
mente de Adam e a entender o que este sentiu. Isso foi algo de que gostei no
filme mas, para mim, são mais os aspectos negativos do que os positivos.
Toda
a história vai sendo contada de uma forma simples e muito fluída, fazendo com
que nem nos apercebamos do tempo que já passou. Na verdade, não sei como é que
o realizador assim o conseguiu. O filme é cheio de clichés, tanto nos diálogos,
monólogos como em algumas coisas que vão acontecendo,… enfim, uma lista de
coisas que já vimos vezes e vezes sem conta noutros filmes com heróis e vilões.
Pergunto-me porque motivo o “herói” tem que estar sempre no telhado de um
prédio alto, no qual, quando olhamos para baixo, as pessoas parecem formigas, a
observar a cidade como um vigilante. Porque é que quase todo filme deste género
tem que terminar dessa forma?
![]() |
| Aaron Eckhart é Adam, a criação de Victor Frankenstein |
Em
I, Frankenstein, a criatura de Victor
Frankenstein é vista como o herói que veio salvar a humanidade. Um herói que, quando o médico o criou, teve o cuidado de fazê-lo atraente e bem constiuído. Não foi atencioso da sua parte? xD
Adam não se encontra
do lado das Gárgulas ou dos demónios. Adam luta por si mesmo e pelo que ele
acha certo. Mas ainda assim, é envolvido numa luta que dura há dois séculos e
aqui é onde eu acho que o filme peca mais. Como é que é possível que ocorram
lutas nas ruas de uma grande cidade, vejam-se luzes acesas em alguns edifícios
lá perto e nunca se veja ninguém na rua? Será que ao longo de dois séculos, os
humanos apenas ficaram cegos e surdos? Como é que numa cidade gigante,
aparentemente cheia de movimento e diversão, não se repare em gárgulas a lutar,
em pleno voo, com algo de aspecto humano?
Falando
ainda das lutas, gostei da forma como colocaram as transformações das gárgulas
para a forma humana e as lutas entre gárgulas e demónios. Estas pareciam saídas
de um livro bíblico ou mitológico. Ainda assim, achei exagerado o uso do
slow-motion nos momentos dramáticos. Para não dizer também,... clichê.
Em
suma, I, Frankenstein é um filme que
coloca a criação de Victor Frankenstein entre uma antiga luta de demónios e
gárgulas, onde só ele poderá ser o herói e salvar o dia. Um filme para se ver quando
não se tiver mais o que fazer.









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