10 maio 2014

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Vamos às pipocas... #7

Victor Frankenstein, médico do séc. XIX, vive obcecado pela ideia da génese da vida e da capacidade de ressuscitar os mortos. As suas experiências científicas levam-no a criar um ser feito a partir de fragmentos de cadáveres humanos. Quase dois séculos passados, essa criatura solitária e menosprezada por todos continua à deriva, numa busca constante pelo seu lugar no mundo. Quando descobre que vários outros seres monstruosos se preparam para extinguir a raça humana, ele vê-se a braços com algo com que nunca esperaria: a defesa daqueles que sempre o quiseram destruir. Com o clássico de terror de Mary Shelley como pano de fundo, um filme de acção e aventura realizado por Stuart Beattie (conhecido argumentista de Halo, Australia ou Pirates of the Caribbean), que se inspira na novela gráfica de Kevin Grevioux. No elenco, Aaron Eckhart, Bill Nighy, Miranda Otto e Yvonne Strahovski, entre outros.


Quando vi o trailer deste filme fiquei curiosa. No entanto, li várias críticas negativas e outras tantas positivas, que me fizeram ficar sem saber muito bem o que é que deveria pensar sobre a qualidade do filme. Assim que houve uma oportunidade de o assistir, peguei nuns snacks e deitei-me na cama a vê-lo. Se calhar não devia ter ido com tanto entusiasmo.
I, Frankenstein conta-nos a história de Adam, a criatura que Victor Frankenstein criou e da sua luta em se manter no nosso mundo. Adam só quer ser amado e viver em paz, quer aprender a compreender a mente humana e todos os sentimentos que tem dentro de si. Mas isso não é possível enquanto o Príncipe dos Demónios andar à procura dele. Adam descobre-se no meio de uma luta antiga entre Gárgulas e Demónios, onde ele é a chave para salvar a humanidade.
A história da criatura é-nos contada de uma forma muito sucinta. Com essa pequena introdução, através da perspectiva da própria criatura, começamos a entrar na mente de Adam e a entender o que este sentiu. Isso foi algo de que gostei no filme mas, para mim, são mais os aspectos negativos do que os positivos.
Toda a história vai sendo contada de uma forma simples e muito fluída, fazendo com que nem nos apercebamos do tempo que já passou. Na verdade, não sei como é que o realizador assim o conseguiu. O filme é cheio de clichés, tanto nos diálogos, monólogos como em algumas coisas que vão acontecendo,… enfim, uma lista de coisas que já vimos vezes e vezes sem conta noutros filmes com heróis e vilões. Pergunto-me porque motivo o “herói” tem que estar sempre no telhado de um prédio alto, no qual, quando olhamos para baixo, as pessoas parecem formigas, a observar a cidade como um vigilante. Porque é que quase todo filme deste género tem que terminar dessa forma?

Aaron Eckhart é Adam, a criação de Victor Frankenstein

Em I, Frankenstein, a criatura de Victor Frankenstein é vista como o herói que veio salvar a humanidade. Um herói que, quando o médico o criou, teve o cuidado de fazê-lo atraente e bem constiuído. Não foi atencioso da sua parte? xD
Adam não se encontra do lado das Gárgulas ou dos demónios. Adam luta por si mesmo e pelo que ele acha certo. Mas ainda assim, é envolvido numa luta que dura há dois séculos e aqui é onde eu acho que o filme peca mais. Como é que é possível que ocorram lutas nas ruas de uma grande cidade, vejam-se luzes acesas em alguns edifícios lá perto e nunca se veja ninguém na rua? Será que ao longo de dois séculos, os humanos apenas ficaram cegos e surdos? Como é que numa cidade gigante, aparentemente cheia de movimento e diversão, não se repare em gárgulas a lutar, em pleno voo, com algo de aspecto humano?
Falando ainda das lutas, gostei da forma como colocaram as transformações das gárgulas para a forma humana e as lutas entre gárgulas e demónios. Estas pareciam saídas de um livro bíblico ou mitológico. Ainda assim, achei exagerado o uso do slow-motion nos momentos dramáticos. Para não dizer também,... clichê.

Em suma, I, Frankenstein é um filme que coloca a criação de Victor Frankenstein entre uma antiga luta de demónios e gárgulas, onde só ele poderá ser o herói e salvar o dia. Um filme para se ver quando não se tiver mais o que fazer. 



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