11 março 2015

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Desafio literário 2015 - O Retrato de Dorian Gray (Opinião)

Oscar Wilde, que se notabilizou sobretudo como dramaturgo, escreveu um único romance, O Retrato de Dorian Gray, obra que causou escândalo e controvérsia na Inglaterra vitoriana. Dorian Gray é um homem rico que vende a alma em troca da juventude eterna. A passagem do tempo não lhe altera a bela aparência, enquanto o seu retrato mágico envelhece e revela a decadência interior. Expressando as preocupações estéticas e os paradoxos morais de Wilde, a narrativa constitui uma reflexão sobre o envelhecimento, o prazer, o crime e o castigo.

OPINIÃO

O artista é o criador de coisas belas.
O objectivo da arte é revelar a arte e ocultar o artista.
(...)
O que a arte realmente espelha é o espectador, não a vida.
(...)
Toda a arte é completamente inútil.

Eu vinha preparada para escrever um post todo XPTO, onde estaria a minha opinião bem definida mas assim que comecei efectivamente a escrever, apercebi-me que talvez esta não estivesse assim tão bem definida quanto isso. Por esse motivo, peço desde já desculpa se o post parecer um pouco confuso ou controverso.
Dorian Gray é um jovem impertinente e tímido, que conhece o pintor Basil Hallward num dos seus encontros sociais. Fascinado com a sua beleza, Basil decide pintar um retrato de Gray, onde acaba por expor um pouco de si próprio. É através do pintor que conhece Lord Henry, um homem cínico e sarcástico, que acaba por lhe chamar atenção para a alegria da juventude e a procura do prazer. Sendo vaidoso por natureza, Dorian exprime o desejo de querer que fosse o seu retrato a envelhecer enquanto ele permaneceria jovem. Esse insano pedido acaba por se realizar, levando-o a uma vida de libertinagem. Sendo directa ou indirectamente influenciado por Henry, Dorian Gray decide disfrutar da vida fazendo com que seja o retrato a pagar o preço dos seus actos. Até que este se torna demasiado alto...
O Retrato de Dorian Gray é uma obra bastante complexa, cheia de filosofias e esteticismo, onde são abordados vários assuntos. A brevidade da juventude, a procura constante pelo prazer e a discussão entre o certo e o errado, são alguns dos assuntos tratados. Neste único romance que escreveu, Oscar Wilde fez uma crítica muito aberta da sociedade vitoriana, mostrando os falsos moralismos, a prática do ópio e a vida dupla que as classes respeitáveis levavam.

Sei bem como é a tagarelice em Inglaterra. As classes médias fazem alarde dos seus preconceitos morais durante os seus reles jantares e dizem segredinhos sobre aquilo a que chamam a libertinagem das classes superiores, a fim de fingir que convivem com a sociedade distinta e que são íntimos das pessoas que difamam. Neste país, basta que um homem tenha distinção e inteligência para que todas as más línguas o ataquem. E que vidas levam estas mesmas pessoas que se fazem passar por modelos de virtudes? Meu caro amigo, você esquece-se de que vive no país natal dos hipócritas.

Eu confesso que adorei o conceito por detrás desta história, embora não seja definitivamente fã da escrita deste senhor, onde cada personagem representa algo. Dorian Gray é descrito como um Adónis ingénuo e puro. Nele encontramos um narcisista, que decide viver as ideias hedonistas de Lord Henry, onde é visível ainda a vida dupla e a auto-indulgência. É interessante e bastante clara a evolução deste personagem, que começa por ser um ser imaculado e que acaba por decair, perdendo até a sua humanidade. Na personagem de Lord Henry temos a imoralidade. Este é o impulsionador da queda de Dorian Gray, que nunca chega aperceber-se do efeito que as suas acções têm sobre ele. Em contrapartida, Basil Hallward representa os valores morais, onde está presente (ainda que disfarçadamente) um certo erotismo na sua relação com o protagonista. Todas as outras personagens que surgem ao longo do livro e os seus destinos, apesar de terem a sua relevância, apenas fazem lembrar a Dorian que o passado é algo do qual não podemos fugir e que também ele pode agir como consciência dos nossos actos. É claro que, nesta história, o retrato acaba por ser uma personagem também e não menos importante. É nele que vamos vendo o espelho da alma de Dorian e a sua verdadeira decadência moral e estética.
Em suma, O Retrato de Dorian Gray é a prova do brilhantismo de Oscar Wilde e do que significa a expressão "ler um bom clássico". Contudo, e tal como já referi antes, não consegui gostar da escrita deste autor e, por conseguinte, não penso voltar a ler mais nada do mesmo.  

Irei inserir este livro no Desafio literário 2015, no tópico...

10. Um livro com uma capa feia

1 comentários:

Filipe Melo disse...

como sempre explicas-te de forma clara o que acontecia no livro, por isso não precisas pedir desculpas, o teu resumo esta muito bem estruturado.

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