Quando as festividades acabaram, Norman foi à procura dos sacos para o lixo debaixo do lava-louça. Num deles enfiou as luvas do forno e a sua própria camisa, que agora não estava em condições de ser usada em público. Levaria o saco com ele e deitava-o fora mais tarde.No primeiro andar, no quarto do Tambor, desencantou uma única peça de roupa ainda assim capaz de cobrir o seu tronco muito mais desenvolvido; uma sweetshirt largueirona e já desbotada dos Chicago Bulls. Norman pô-la em cima da cama e entrou na casa de banho do Tambor e abriu o chuveiro do Tambor. Enquanto esperava que a água aquecesse, deu uma olhadela ao armário dos medicamentos do Tambor, viu um frasco de Advil e tomou quatro. Doiam-lhe os dentes e os maxilares. Toda a metade inferir dos seu rosto estava coberta de sangue, cabelos e pedacinhos de pele.Meteu-se debaixo do chuveiro e pegou no sabonete Irish Spring do Tambor, lembrando a si mesmo para o enfiar também, no saco. Na verdade, não sabia se alguma destas precauções ia servir de alguma coisa, pois não fazia ideia da quantidade de provas forenses que teria deixado lá em baixo na cave. Tinha-se descontrolado um bocadinho lá em baixo.Enquanto lavava a cabeça começou a cantar:- «Rosa Erraaaante... Rosa Erraaaante... por onde aaandas... ninguém sabe... livre e solta... assim cresceste... quem pode ter... uma Rosa Errante?»Fechou a torneira do chuveiro, saiu e observou o próprio reflexo esbatido, fantasmagórico, no espelho embaciado por cima do lavatório.- Eu posso - respondeu, categórico. - Posso eu.
Excerto do livro O retrato de Rose Madder, de Stephen King








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